Não entendo como essa sigla tornou-se tão conhecida de uns tempos pra cá... E quando digo que é conhecida, é conhecida mesmo. Até mesmo as crianças sabem o que é TPM: “A mamãe está com TPM”. “– Ah sim, vamos deixar a mamãe sossegada!” Alguém já viu uma criança entender sobre siglas: Pergunte a qualquer uma o que quer dizer ONU, FMI, ENADE, ou LDB... Muito difícil alguma criança responder. Mas se perguntar o que é TPM, os olhinhos já brilham, sai aquele sorrisinho maroto e elas têm uma reposta bem humorada na ponta da língua. Não sei se é por vingança, pelo prazer de “ter o gostinho” de dar o troco, ou mera maldade humana... Mas a maioria das pessoas sente uma profunda satisfação ao discorrer sobre o assunto.
Poderíamos definir aqui o significado desta “famosa” sigla (do ponto de vista feminino, é claro!). Não seria então só uma TPM, mas várias... Pois, Tudo Parece Me: Irritar, incomodar, confrontar, magoar, ignorar, desanimar, entristecer, estressar, descontrolar, e por aí vai... São tantas sensações que afloram de uma hora pra outra, que até mesmo o “nosso” lado intelectual não aguenta. Deve ser por isso, que sempre após a esse período, fica aquela sensação de: “Eu não acredito que falei isso, ou briguei por aquilo, gritei por aquilo outro, ou até mesmo chorei por essa bobagem!” É triste, muito triste... E embora muitos (homens) duvidem da veracidade dos fatos, é real... Profundamente real!
Não estou aqui para julgá-los. Longe de mim. Talvez se eu fosse um homem também não entenderia, acharia “pura frescura” o que se passa no interior das mulheres... Deve ser muito difícil mesmo, compreender como a mulher que os acompanha, ou trabalha na mesa ao lado, de uma hora pra outra, começa a cobrar tarefas, sejam elas uma simples assinatura ou as roupas jogadas pelo chão, a falta de compreensão, a colaboração ausente: “Meu bem, ontem (e nunca) eu não lavei a louça, e nem por isso você quis me matar!” Eu estou convencida é que durante a TPM, que nós mulheres, nos libertamos das “boas maneiras, das atitudes convencionais”, pois lá no profundo, sempre esperamos ser ajudadas, escutadas, compreendidas, paparicadas... Mas em “nosso estado normal” a sensatez nos impede de “surtar” por cada desejo não realizado, pois a lei do bem-viver fala mais alto.
A realidade é que chega a ser irônico... Mas a mesma sensibilidade que nos faz tão compreensivas, amáveis, pacientes, boas mães, esposas dedicadas, é a sensibilidade que extravasa durante esse período e todas as boas qualidades se revertem. É irônico também que é justamente nessa fase que mais precisamos de tolerância, compreensão, carinho... E conseguimos afastar a todos que nos cercam com um simples olhar! As pessoas à nossa volta quando percebem o que está acontecendo já passam longe, ignoram nossas atitudes e não levam a sério nossas palavras. Mas é fato, não adianta fugir dele, mais dia, menos dia, as TPM’s irão nos afetar... Seja do lado de cá ou do lado de lá.






