No caminho, com Maiakóvski


"Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam o nosso cão. E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada. "
(Eduardo Alves da Costa)

*Este é apenas um fragmento do belíssimo poema publicado em 1936 pelo autor carioca Eduardo Alves Costa, faz parte do livro "Os cem melhores poetas Brasileiros do Século", organizado por José Nêumanne Pinto. Segue abaixo o texto na íntegra...

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

Mania de explicação


Pois bem... Sumi, eu sei!
Andava até tristonha em ver o bloguinho aqui tão abandonado e sem vida...
A desculpa mais uma vez é a mesma: Falta de Tempo!
Sim... Nesse um mês que estive ausente, foram tantas as emoções que acredito ser quase impossível compartilhar de todas aqui com vocês...
Mas... Tentarei!

Em primeiro lugar começamos a pintar nosso apartamento, mais ou menos há uns dois meses, e até agora "apenas" dois quartos já ficaram prontos... Isso tudo com alguns agravantes: Estamos morando no apartamento enquanto a reforma acontece; O marido achou que que ia rápido e "doou" nosso sofá, mas pelo ritmo das coisas chegaremos à sala apenas em janeiro... Isso significa que eu QUERO muito um sofá, a minha sala de volta!

Também tem sido uma loucura minha vida como professora no colégio que eu tanto sonhava... Desde que comecei lá eu desconheço o que é "não se ter nada pra se fazer"! Simplesmente eu sempre tenho vários itens na agenda a serem cumpridos... Se não estou dando aula, estou planejando, corrigindo, encaminhando, elaborando, criando... Mas enfim... Estou amando também! Tem valido a pena cada minuto. A cada dia eu tenho mais certeza que amo a Literatura e amo lecionar!

Estou fazendo minha pós em Literatura todos os sábados, escrevendo meu artigo do Mestrado... Em janeiro do próximo ano presto a prova na Federal aqui de Santa Catarina e se Deus quiser estarei definitivamente dentro!

Semana passada participei de um encontro maravilhoso de casais e tenho vivido momentos indescritíveis com Deus...

Recomecei um cardápio de reeducação alimentar , estou "morrendo de fome", mas disposta a me manter firme até o peso desejado!

Tenho lido muito... aliás, relido! Basicamente os livros que estou trabalhando para o vestibular com meus alunos... Alguns fazia muito tempo que tinha lido e não quis correr o risco de perder algum detalhe! *Nesse momento estou lendo Laços de Família de Clarice Lispector e também O Segredo da Saúde Total (ma-ra-vi-lho-so! e tem me ajudado muito no que se refere a alimentação do corpo, alma e espírito - recomendo)

Ah... Também estamos nos preparando para viajar esse fim de ano para Goiás, visitar minha sogra... Se tudo correr certo, ficaremos lá pelo menos um mês! Isso tem gerado uma grande expectativa em nossos corações...

Então, basicamente é isso! Estou feliz por estar de volta...
Um beijo e até!

"Eu estou séria, mas por dentro estou sorrindo. Não sei de quê.
É que viver me faz sorrir." (Clarice Lispector)

Humor do Dante...

Altas horas da madrugada, o casal acorda ao som insistente da campainha da casa.
O dono da casa se levanta e, pela janela, pergunta:
O que é que você quer?
- Olá, eu sei que é tarde!
Grita um homem;
- Mas preciso que alguém me empurre, e sua casa é a única nesta região.
- Você precisa me empurrar!
Louco da vida, o recém acordado replica:
- Eu não te conheço, são 4 horas da manhã, e me pede para te ajudar?
- Ah! Vá te catar!
E ele volta para a cama.
Sua mulher, que também acordou, não gosta da atitude do marido:
- Você exagerou.
- Você já ficou sem bateria antes, você bem que poderia ajudar esse cara..
- Mas ele está bêbado!
Desculpa-se o marido.
- Mais um motivo para ajudá-lo.
Insiste a mulher.
- Ele não vai conseguir sozinho.
- Você que sempre foi tão prestativo.
Tomado por remorsos, o marido se veste e vai para a rua.
Procura o bêbado dizendo:
- Hei cara, vou lhe ajudar! Onde é que você está?
E o bêbado gritando:
- Aqui, no balanço do jardim

Sonhos

Há um lugar pra chegar
Ha uma ponte que te levará pro outro lado
Há um sonho, uma voz
Dizendo os seus sonhos também são meus

Vou te levar
Te conduzir
E quando você alcançar
Saberás que em todo tempo eu estive ao teu lado

Os teus sonhos são meus
Teus problemas são meus
Tua vida também é minha vida
Eu de ti cuidarei
N
V
unca te deixarei
Os teus sonhos eu realizarei


Vou te levar
Te conduzir
E quando você alcançar
Saberás que em todo tempo eu estive ao teu lado


(Chris Duran)

Simplesmente... Pablo Neruda!

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

Sem inspiração...


É terrível essa sensação de encontrar a mente vazia... Pelo menos, vazia pra escrever sobre alguma coisa...

Ultimamente tenho pensado em tantas coisas, planejado tanta aula, corrigido tantas provas e trabalhos, queimado meus neurônios no projeto para o Mestrado, me preocupado com a saúde de meus filhos (e minha), mais a reforma em meu apartamento...

E por incrível que pareça, com tanta coisa acontecendo, não consigo ter inspiração pra escrever nada! - Frustrante, mas espero que passe logo!

Um beijo e até.

Esses pequenos momentos...

Encerramos mais um mês... Nem dá pra acreditar que setembro está aí!

Esses dias ainda eram férias de julho... Parece que cada vez mais o tempo corre aceleradamente...

Mas em meio a toda correria, sábado participei de um retiro para os professores do colégio onde trabalho, e por incrível que pareça... No silêncio, nas reflexões, eu pude perceber quanta coisa está passando e eu tenho deixado o estresse falar mais alto...

Decidi (mais uma vez!) desacelerar um pouco e curtir momentos únicos, que jamais voltarão... A infância dos meus filhos, por exemplo... A minha juventude (que por mais que eu relute, sei que também se vai sem que eu perceba...) E enfim...

Termino esse mês muito reflexiva e disposta a mudar certos conceitos...

Beijos e até!

(O exercício já começou esse fim de semana... Eu, ontem na praia com o Samuel... Passeamos, brincamos, comemos e rimos muito!)